Meses atrás veio a notícia: “Los Hermanos separam-se por tempo indeterminado”. Não sei por que, mas já me ocorrera que isso poderia acontecer mais dia, menos dia. Todos os indícios levavam a esse fim, uma vez que os seus integrantes tinham, a muito, co-projetos concomitantes à banda.
Em seu último CD, 4, ficou claro a ruptura musical existente entre Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo, cabeças do grupo. O primeiro, sempre apresentou uma levada mais rock n’ roll melódico/romântico. Já o segundo, tinha raízes calcadas no samba e na bossa-nova. Mas em “4″, essa linha imaginária que sempre dividiu a banda se revelou. Parecia mesmo que eram dois discos em um, tamanha a lacuna entre eles. É evidente que essa “desarmonia harmônica” contribuiu e muito para seu sucesso, afinal foram quase dez anos de parceria, ou melhor, de cumplicidade. Cúmplices sim, pois, como em um casamento, uma banda só dá certo quando há cumplicidade e respeito entre seus membros. E isso ficou explícito em sua última apresentação, na Fundição Progresso – RJ, no passado mês. Ao contrário da maioria das bandas que acabam, Los Hermanos teve um epílogo sem farpas nem tapas. Talvez seja o indício de que esse “tempo” não signifique um rompimento definitivo, mas sim umas férias merecidas.
Nós, fãs, suplicamos que essas férias terminem o mais rápido possível. Cruel seria pensar o cenário musical sem eles. Há muito que não tínhamos uma banda tão representativa. E não sou eu, um jornalista e fã (nesse caso, mais fã do que jornalista), quem está dizendo. Os críticos também estão em uníssono nessa questão, apesar de alguns ainda teimarem vê-los como a banda da pseudo-balada “Ana Julia”. Nós sabemos que eles são muito mais que isso. O que nos resta é aguardar o seu retorno, sabendo que todo carnaval tem seu fim. But, “deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz…”
É isso!